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terça-feira, 6 de março de 2012

Acredito no amor, mas não em todos esses amores...




Será o amor, como pregam os poetas, a causa da nossa existência e o alimento da nossa alma? Ou será mias uma grande ilusão romântica, criada pelo homem na tentativa de justificar o vazio de sua alma e a desventura de sua vida.

Friedrich Nietzsche, em suas duras palavras, afirma que Temos a arte para não morrer da verdade”. Ademais assegura que “o amor é o estado no qual os homens tem mais probabilidade de ver as coisas como elas não são”.

Noutro entendimento William Shakespeare: “De almas sinceras a união sincera nada há que impeça: amor não é amor se quando encontra obstáculos se altera, ou se vacila ao mínimo temor. Amor é um marco eterno, dominante, que encara a tempestade com bravura; é astro que norteia a vela errante, cujo valor se ignora, lá na altura. Amor não teme o tempo, muito embora seu alfange não poupe a mocidade; amor  não se transforma de hora em hora, antes se afirma para a eternidade. Se isso é falso, e que é falso alguém provou, eu não sou poeta, e ninguém nunca amou”.

Certo mesmo é que em um mundo de facilidades não existe mais conquistas, em um mundo de redes sociais já não existe mais distância. Em um mundo capitalista de modismos e futilidades qual amor sobreviveria? Já não existe mais o namoro na praça, a paquera inocente, as proibições, os desafios e as grandes aventuras.

Quer saber mesmo em que eu acredito? Acredito nos sentimentos, mas não em todos esses sentimentos; acredito nas pessoas, mas não em todas as pessoas; acredito no amor, mas não em todos esses amores.

O amor pra existir precisaria ser puro, divino, maior que os homens e acessível apenas àqueles que detivessem a capacidade de amar.

Portanto, acredito no amor, mas não em todos esses amores.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Todos os homens...


Todos os homens deveriam ter como destino uma grande aventura, uma grande batalha e um grande amor...
Todos os homens, ao acordar, deveriam estar na companhia das pessoas que amam...
Todos os homens deveriam semear a verdade e colher o bem...
Todos os homens deveriam ser heróis, exemplo uns dos outros, caridosos e justos...
Todos os homens, pois, não deveriam possuir livre-arbítrio.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nada prenderá o homem livre

     Ou você fala deste mundo, ou do outro, qual seja a necessidade dos homens livres se libertarem deste plano.
     Nada prenderá o homem livre, nem vícios, nem religiões, nem políticas e nem paixões.

     Este, o homem livre, guiará multidões, assombrará seus próprios fantasmas e sua existência servirá de fundamento à outras existências.
     O verdadeiro homem livre detém aspirações divinas, consagra-se por suas grandes habilidades e por seus grandes feitos, possui consciência cósmica e o destino de mudar o mundo.
     A guerra do homem livre é interior, sua batalha é com ele próprio, seu inimigo é ele mesmo, sendo que nenhuma barreira física poderá detê-lo.
     Eis o homem livre.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O telhado



Um telhado rodado, de tão belo, que era perfeito;
mas imperfeito ao ponto da água ali penetrar;
um lugar imponente onde a felicidade não habitava;
frio e triste demais para alguém morar.

Uma rua estranha, escura e quiçá perigosa;
e poderosas energias que habitavam aquele lugar;
encontrava-se uma criança estranha e serena;
me aproximo e indago sem medo do que vou falar.

Por favor, eu sei que você pode vê-la;
eu mesmo sinto sua energia nesse lugar;
pois aquela presença tão forte, tão nobre e tão perigosa;
me desespera e me lembra de um tempo que não vai voltar.

Pois lhe diga que eu também sofri e que também chorei,
mas que siga o caminho da sua libertação;
pois de outra forma aquela angústia que lhe atormenta;
jamais dará uma trégua a seu coração.

E a garota estranha que olhava fixamente;
volta-se pra mim e sussurra com convicção;
ela diz que não pode ter paz em seu coração;
que o desespero, a angústia, e o escuro a fazem chorar...

Diz também que se alimenta de sua energia;
mas que ela nada mais é do que proteção;
que jamais te esqueceu um só segundo;
e te aguarda pra um recomeço e outra emoção.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim, O Telhado (15/09/2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ó mar salgado, quanto do teu sal...





Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

"Mar Português", do livro Mensagem - Fernando pessoa 

domingo, 17 de abril de 2011

Se eu for mais veloz que a luz...


Vou sair pra ver o céu
Vou me perder entre as estrelas
Ver daonde nasce o sol
Como se guiam os cometas pelo espaço
E os meus passos, nunca mais serão iguais

Se for mais veloz que a luz, então escapo da tristeza
Deixo toda a dor pra trás, perdida num planeta abandonado no espaço
E volto sem olhar pra trás

No escuro do céu
Mais longe que o sol
Perdido num planeta abandonado
No espaço

Ele ganhou dinheiro
Ele assinou contratos
E comprou um terno
Trocou o carro
E desaprendeu
A caminhar no céu
E foi o princípio do fim

Se for mais veloz que a luz
Então escapo da tristeza
Deixo toda a dor pra trás
Perdida num planeta abandonado
No espaço e volto sem olhar pra trás...
Busca Vida - Paralamas do Sucesso

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os Teus Olhos Não Me Surpreendem


Não é fácil viver como um grego em meio à troianos;
sentir o que sinto ao te ver que só queres o melhor;
que da vida, o queres e o que sentes é irrelevante;
e que no máximo uma vida de sombras é pra ti o melhor.
É triste saber que ante as flores há um caminho de espinhos;
mas que é simples, pois a natureza assim te ensinou;
É óbvio, mas é a verdade que pra ti é imposta;
sinto muito, mas sinto que isto não é o amor.
Vou falar dos caminhos, das flores, e até dos amores;
que pra mim tudo isso é feliz se não fosse você;
pois eu vejo em teus olhos, teus gestos, que não te procuro;
e que és uma faceta da vida falando de amor.
Imperioso é falar da verdade, das coisas da vida;
és feliz por seres alguém que consegues o pouco que quer;
que da vida, tudo o que vês é impressionante;
que a beleza nada mais é do que uma mulher.
Tenho pena da tua alma e do teu destino;
que não enxergas além de um palmo da tua razão;
razão essa que te faz outra vez vítima da vida;
então não venhas falar de verdades do teu coração.
Que eu falo de um universo que tu desconheces;
mas sinto muito, pois na verdade tu és meu irmão;
que a ausência de paz é uma treva que me enlouquece;
mas ao menos caminho rumo à verdade de minha razão.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim, Os Teus Olhos Não Me Surpreendem (03/04/2011)