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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Via Láctea - Olavo Bilac




XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


XXV

“Tu, que no pego impuro das orgias
Mergulhavas ansioso e descontente,
E, quando à tona vinhas de repente,
Cheias as mãos de pérolas trazias;

Tu, que do amor e pelo amor vivias,
E que, como de límpida nascente,
Dos lábios e dos olhos a torrente
Dos versos e das lágrimas vertias;

Mestre querido! viverás, enquanto
Houver quem pulse o mágico instrumento,
E preze a língua que prezavas tanto:

E enquanto houver num canto do universo
Quem ame e sofra, e amor e sofrimento
Saiba, chorando, traduzir no verso.”


IV

“Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria

Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria...

Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das árvores a aurora...

Palpitam flores, estremecem ninhos...
E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.”



Via Láctea – Olavo Bilac

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Pequeno Príncipe


     Recordar é viver...

     Trata-se da estória de um príncipe que morava em um pequeno planeta adiante. Viajava através de planetas e reinos, conhecendo pessoas, lugares, sentimentos e valores. Possuia, pois, uma flor muito especial que amava muito.
     A flor embora bonita e cheirosa era vã e exigente, ingênua e orgulhosa! Acreditava que seus espinhos a protegeriam, exigiu que o príncipe a cobrisse com uma tela. Disse-lhe para colocá-la sob um globo de vidro à noite para protegê-la do frio. Embora o príncipe a amasse, estava cansado de ouvir-lhe as exigências, assim ele partiu de seu planeta com um bando de pássaros em migração.
     O Pequeno Príncipe, então, vem aqui pra Terra, encontrando um campo com milhares de rosas iguais a dele. Achara, assim, que tinha perdido tempo, pois haviam milhões de outras rosas iguais a dele. Não sendo ela especial. Mas, a raposa, fez com que ele entendesse que o tempo que ele perdera com aquela rosa, cuidando, protegendo, ouvindo-a queixar-se ou gabar-se, tirando as larvas, deixando apenas duas ou três, por causa das borboletas, protegendo com a redoma, para que ela não ficasse exposta ao vento, cada gesto, fez daquela rosa ÚNICA! As outras eram apenas rosas...
     Ensinou-lhe, ainda, a raposa: "a gente só conhece bem as coisas que cativou, os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas, mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!..."

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim





quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Marília de Dirceu - Thomás Antônio Gonzaga



“Pintam, Marília, os poetas
a um menino vendado,
com uma aljava de setas,
arco empunhado na mão;
ligeiras asas nos ombros,
o tenro corpo despido,
e de amor ou de culpido
são os nomes que lhe dão...

Tu Marília, agora vendo
de amor o lindo retrato,
contigo estarás dizendo
que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
que cupido é deus suposto:
se há cupido é só teu rosto,
que ele foi quem me venceu...

Na sua face mimosa, Marília,
estão misturadas purpúreas folhas de rosa,
brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
os seus beiços são formados;
os seus dentes delicados
são pedações de marfim.

Mal vi seu rosto perfeito,
dei logo um suspiro, e ele
reconheceu haver-me feito
estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
entendia eu não olhava;
vendo que o via, baixava
a modesta vista ao chão.


Marília de Dirceu - Thomás Antônio Gonzaga



segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Ladeira da Saudade - Ganymédes José



Lília é de uma família rica de São Paulo e termina o namoro com o filho chato da amiga da mãe. Tia-avó Ninota aparece na cidade e como o clima familiar anda pesado, o pai sugere que Lília viaje com a tia para Ouro Preto. Lília vai e descobre, fascinada, uma cidade mágica. Conhece as "Tetetês", 3 garotas cujos nomes começam com T. Elas participam de um grupo de teatro de bonecos, liderado por Dirceu. Lília e Dirceu se envolvem e começam um namoro, em meio às descrições históricas da cidade e paralelos entre seu amor e do poeta árcade Gonzaga e sua amada Dorotéia.

A mãe de Lília a leva de volta à força para São Paulo, mas uma forte interferência de tia Ninota faz a mãe de Lília perceber que é melhor deixar a filha decidir seu próprio destino. O despertar de um amor verdadeiro no coração de uma adolescente que revive, no século 20, em Ouro Preto, um amor atormentado do Brasil do século XVIII. Um amor puro, de entrega, que vence a barreira do preconceito racial.


O autor




Ganymédes José

 Nasceu em Casa Branca, no interior de São Paulo, em maio de 1936. Formou-se professor em sua cidade, fez Direito na PUC de Campinas e cursou Letras na Faculdade de São José do Rio Pardo. Desde cedo, começou a juntar coisas no coração: pedaços do mundo (sua cidade, por exemplo, cabia inteira), gente, muita gente, livros, músicas... "Gosto de paz, silêncio, plantas, animais, amigos, honestidade, escrever, música, alegria, fraternidade, compreensão...", escreveu certa vez.
Retornando à sua cidade, depois de formado, o menino escritor deixou de ser menino. E não parou mais de escrever. Datilografava só com três dedos, o que não o impediu de nos deixar mais de 150 obras. É livro para todos os gostos: de mistério, humor, histórico, romântico, infantil, juvenil... Em todos, o mesmo fio condutor, a mesma energia vital: o amor à juventude. Teve obras premiadas pela APCA (1975, Melhor Livro Infantil) e pela Prefeitura de Belo Horizonte (1982, Prêmio Nacional de Literatura Infantil João de Barro).
No dia 9 de julho de 1990, quando Ganymédes se preparava para o lançamento de Umaluz no fim do túnel - mais uma grande prova de amor ao jovem - seu coração, aquele cheio de pessoas e coisas bonitas, parou repentinamente de bater. E tudo quanto ele amava levou embora, dentro do peito. Mas no que acreditava ele deixou aqui: seus livros. Reconfortante é saber que, através de sua obra, ele permanecerá cada vez mais vivo.

Ouro Preto - A grande inspiração do autor









quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meu mundo em poucos metros quadradros



     Eu não sei por que as pessoas se preocupam tanto de eu passar tanto tempo em meu quarto. Ora, aqui eu tenho meus livros, meu violão e minhas reflexões. O que mais essa vida tem a me oferecer? Se apenas nesses poucos metros quadrados minha consciência é mais livre, meu mundo mais consistente e minha vida mais plena.

     Aqui eu já sorri, aqui eu já chorei, aqui eu  já vivi e aqui eu quiz morrer. Aqui já fui herói e covarde, vencedor e derrotado. Por mais que eu seja sociável fora daqui, nesse pequeno mundo particular meus anseios, minhas lembranças, meus medos e minhas glórias se unem à minha consciência, e, como resultado, uma profusão de pensamentos.

     Por mais incrível que pareça, na grande maioria das vezes, não sinto falta do mundo exterior. Quem responderá às minhas incertezas senão eu mesmo? quem me convencerá de algo senão eu próprio?

     O que é o mundo senão o resultado de suas percepções? Qual inimigo é mais perigoso que você mesmo? Vença a si próprio, e depois vença o sistema. Domine a si mesmo, e então evolua.

     Meu quarto pode ser pra mim gande o suficiente. Sendo o mundo pequeno demais aos meus convencimentos. Seria aqui, pois, o local ideal para minha partida. 

     Rodrigo Santana da Fonseca Amorim.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Love of a Silent Moon


Oh! Silent moon, reflect on me your silver glow
and hold me safe 'til dawn.
Oh! scepter'd orb, direct on me your silent face
and keep my soul 'til morn.

Glory be. Glory be. Glory be.
You and me, you and me, you and me.
Wrapped in love, help in poise,
allow your silent voice to share my prayer.

Permit my heart...
fearlessly express its radiant glow
to light the dark.



Love of a Silent Moon - Cecilia

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Me encantas, oh musa!



Me encantas, oh musa! O teu ar de certeza, teus olhos distantes, sorriso perfeito e um jeito só teu. Tão cheia de si e de suas verdades; do momento, do agora, sem depois, sem amanhã.

O que eu não daria pra que fosses minha? Oh musa! Talvez o mar, a lua ou os ventos se fossem só meus, e não de todos os apaixonados.

Talvez se a noite não fosse seu palco, se seus olhos não refletissem a profundidade de sua alma, ou se fosses menos deusa e mais humana, talvez, quem sabe talvez, fosses alcançável.

Andas tu e teus pensamentos, uma dose de vodca, cigarro na mão. Embriagas assim teu público, perdidos entre teu charme e tua serenidade, entre a sua distância e a impiedade de sua beleza.

Dizem que o infinito é um dos deuses mais bonitos. Serás tu parte deste? Ou és tu o próprio em forma humana? Inspiras assim a eternidade, o uno, o logos.

Poderão os homens possuir-te fisicamente, mas se és eternidade como tais mortais tocarão o abismo de tua alma? Se os valores são formadores dos princípios, e se o caminho inverso é impossível?

Amo, pois, a ti, musa! Em todas as suas faces, deusa, diva, humana, mulher.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim.