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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Meu mundo em poucos metros quadradros



     Eu não sei por que as pessoas se preocupam tanto de eu passar tanto tempo em meu quarto. Ora, aqui eu tenho meus livros, meu violão e minhas reflexões. O que mais essa vida tem a me oferecer? Se apenas nesses poucos metros quadrados minha consciência é mais livre, meu mundo mais consistente e minha vida mais plena.

     Aqui eu já sorri, aqui eu já chorei, aqui eu  já vivi e aqui eu quiz morrer. Aqui já fui herói e covarde, vencedor e derrotado. Por mais que eu seja sociável fora daqui, nesse pequeno mundo particular meus anseios, minhas lembranças, meus medos e minhas glórias se unem à minha consciência, e, como resultado, uma profusão de pensamentos.

     Por mais incrível que pareça, na grande maioria das vezes, não sinto falta do mundo exterior. Quem responderá às minhas incertezas senão eu mesmo? quem me convencerá de algo senão eu próprio?

     O que é o mundo senão o resultado de suas percepções? Qual inimigo é mais perigoso que você mesmo? Vença a si próprio, e depois vença o sistema. Domine a si mesmo, e então evolua.

     Meu quarto pode ser pra mim gande o suficiente. Sendo o mundo pequeno demais aos meus convencimentos. Seria aqui, pois, o local ideal para minha partida. 

     Rodrigo Santana da Fonseca Amorim.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

sou como as águas mansas...



     Que fales da vida, das coisas, do hoje e das distrações. Mas se falas da morte, do destino, do desconhecido e do amor, então serás apenas mais um fútil ou alucinado. Já que não posso convencer o outro, então que eu convença a mim mesmo. Pois se muito tenho em meu interior e nunca me compreenderás, então pouco espero do mundo. Sou, pois, como as águas mansas, que escondem toda a sua profundidade, mas nao como as ondas do raso, que já nao assustam e, portanto, por todos frequentadas. Se eu fosse um compositor fariar-te, com estas palavras, uma canção, te tocaria mais afundo e tentaria, só mais uma vez, te convencer. Como nao sou, fecho, pois, meus canais de fora, sonhando com o dia, ou com a vida, em que alguém, valente o bastante, navegue em meu mundo. Se é falso, provas, te contarei todos os meus segredos, queres apostar? Mas se é verdade, e se és como os outros, em meu mundo não haverá lugar pra ti.

Rodrigo Santana da Fonseca Amorim.